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Por que permite Deus que haja dor e sofrimento?

Muitas vezes, acreditamos que o sofrimento é injusto, que Deus poderia intervir e que nossas orações deveriam mudar tudo. Mas e se a vida tivesse um sentido maior? E se a dor fosse um instrumento de aprendizado e evolução das consciências?

AUTOCONHECIMENTO

Entidade: Sultão das Matas

4/20/20262 min read

Da natureza do sofrimento e da dor, por que permite Deus que haja dor e sofrimento?

Se a sua misericórdia é infinita, se os seus atributos incluem onisciência, onipresença e amor perfeito universal, qual é, então, a justificativa para que ele não haja quando a injustiça, a crueldade e a infâmia assolam os seus filhos?

Para o ser humano encarnado, o bem é a ausência de problemas, o amor é subserviente aos desejos e anseios emocionais e a justiça é falsamente percebida como temporal e fruto de leis e conceitos individuais e sociais transitórios e locais. Assim, segundo esse conceito, seria impossível a atuação divina. Como satisfazer tantas rogativas, tantas orações, tantos pontos de vista, muitas vezes contraditórios entre si? Como seria possível dar a um filho e tirar do outro, punir o dito malvado e premiar o outro, que só não faz o mesmo por falta de oportunidade ou por coação social?

Segundo a mentalidade egoísta e orgulhosa do ser humano, a vontade divina seria uma espécie de leilão que atenderia aquele que rezasse mais, que ofertasse mais, que respeitasse mais os ditames das tradições religiosas, enfim, uma barganha onde o ser humano ofereceria algo em troca de proteção divina para a conquista das suas ambições e desejos.

Esta visão milenar resulta da mentalidade ainda infantil que enxerga na divindade um espelho do próprio ser humano, como se o criador universal fosse semelhante à sua criatura. Ora, basta um olhar mais atento, basta uma observação mais desinteressada da natureza para percebermos que o sentido é completamente outro. Tudo na natureza segue uma evolução que se assenta num equilíbrio delicadamente perfeito, cada ser, fenômeno ou elemento está intimamente conectado com o outro e com o todo, cada efeito provém de uma causa exata e cada ocorrência determina sequência calculada de eventos.

Para que a vida orgânica exista na terra, elaborada e complexa a rede de eventos, de causas e efeitos foi cuidadosamente pensada e executada pelos seres encarregados por Deus para a cocriação dos mundos, planos excelsos onde se desenrola a novela fabulosa da evolução das consciências. Só quando se retinge a visão de um quadro maior e mais amplo, quando se compreende essa teia de infinitas proporções que alcança tudo e todos, é que se começa a perceber que tudo está de acordo com o desenho divino. Todos os sofrimentos são resultado de escolhas realizadas pelos atores em cena e as dores são um medicamento purificante que condizirá cada um de volta ao lugar que deve ocupar no desenrolar dessa epopeia.

É portanto necessário olhar mais fundo, mergulhar nesse mar profundo da natureza das realidades para se perceber o quão superficial e infantil é o ser que julga e cobra da força maior que aconteça o que pensa ser o certo. Quais grãos de areia fina que o vento transporta de um lado para o outro para formar as belas dunas, estas em pouco desaparecem para dar lugar a outras.

Assim são os destinos humanos, transitórios e diminutos, mas fundamentais na formação da paisagem pintada pela mente suprema.

Sultão das Matas.

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